Em um mundo povoado por Nikes, Coca-Colas, Skols, FedExes, somos categóricos em afirmar: nós vivemos marcas. Com certeza até mesmo aquele que diz firmemente não ligar para elas tem no bolso ou já usou alguma vez na vida uma Bic. Perceba, como nesta última sentença, nem comentamos se tratar de uma caneta Bic: a própria assimilação do nome já nos faz entender isso.
Como isso é possível? A marca Bic é um bem sucedido e amplamente estudado caso de branding.
Muito mais do que um simples logotipo
Branding, define José Roberto Martins em seu livro “Branding – Manual para Você Criar, Gerenciar e Avaliar Marcas”, é a atividade de construir e gerenciar uma marca junto ao mercado buscando adentrar a cultura de uma sociedade, além dos fatores meramente econômicos. O branding tem a ver diretamente com a idéia que o consumidor/público alvo têm de determinada marca (”brand”), e o que ela representa em suas vidas e interesses.
Estratégias de branding determinam que a marca não deve contentar-se em ser “melhor” que a sua concorrente, mas sim única em benefícios, valores e proporcionadora de um estilo de vida próprio e diferenciado para seus consumidores. Adentrando em uma determinada cultura, uma marca pode ter uma sobrevida secular, como é o caso das maiores marcas existentes no mundo hoje. A Bic, por exemplo, firmou-se como uma marca de canetas acessível, barata, de escrita firme e que é facilmente perdida por ai, mas não há problema: ela é tão em conta que em seguida você já tem uma nova no bolso!
É muito interessante analisar casos de presença tão forte da marca em uma cultura onde fica difícil desassociar-se o que é produto e o que é marca. Como é o caso do Bombril (palha de aço), Gilette (lâmina de barbear), Hipoglós (pomada para assaduras), Vick Vaporub, dentre outras. Se você observar bem, a forma como essas marcas se impuseram no mercado foi mais ou menos semelhante, posicionando-se como “única e melhor alternativa para as suas necessidades”. Bom, funcionou. Você lembra de comprar Bombril ou palha de aço?
O trabalho de branding vai muito além da criação de um logotipo. Envolve uma série de profissionais de marketing, designers gráficos, analistas de mercado, e dependendo do alcance desejado, até mesmo antropólogos. Construir a reputação de uma marca, especialmente nos dias de hoje, é trabalhoso e caro. Mas vale (e muito!) a pena a tentativa.
Um grande abraço, e até a próxima!
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